Manutenção detectiva é uma ação de investigação em equipamentos ou máquinas, com o objetivo de encontrar falhas não perceptíveis às equipes de operação e, até mesmo, para a equipe de manutenção.

Também chamada de manutenção proativa, esse tipo de atividade faz jus ao seu significado: prever as falhas antes mesmo que elas aconteçam de fato.

Esse tipo de manutenção é fundamental na garantia de confiabilidade e viabilidade das máquinas. Atualmente, por causa do avanço tecnológico, se torna ainda mais importante devido a complexidade dos componentes dos equipamentos.

Continue lendo esse artigo e entenda a importância de gerir a manutenção detectiva, assim como os desafios da sua realização nas empresas.

A importância da manutenção detectiva

Algumas máquinas apresentam falhas com efeitos diretos, ou seja, aquelas que rapidamente são percebidas e, quando ocorrem, prejudicam a produtividade da empresa, ocasionando prejuízos e atrasos.

Enquanto isso, existem máquinas que apresentam falhas que não possuem um efeito direto e, por isso, podem ser muito perigosas. Afinal, podem ocasionar efeitos mais graves, como problemas de segurança e impactos ambientais.

São nessas máquinas que a manutenção detectiva se faz necessária.

Gerir um negócio de manutenção também significa gerir os riscos, por isso, a manutenção detectiva vai além da prevenção, ela age como um dispositivo de segurança.

A manutenção detectiva tem papel fundamental no aumento do ciclo de vida dos ativos, por isso, faz parte da estratégia de manutenção de muitos gestores.

No PCM, uma manutenção detectiva se transformará em manutenções corretivas planejadas, aumentando a disponibilidade dos equipamentos e máquinas, e consequentemente, seu ciclo de vida.

É importante destacar, que as detectivas atuam nos chamados sistemas de proteção ou comando. São sistemas feitos para atuar de forma automática, como uma proteção programada, protegendo outros componentes que são essenciais para o funcionamento.

As manutenções preventivas focam nesses componentes que são protegidos e que, por vezes, podem apresentar problemas. Mas se a falha estiver no sistema de proteção, a manutenção detectiva demonstrará.

Não detectar as falhas nos sistemas de proteção podem trazer consequências desastrosas de segurança, como falamos anteriormente. Por isso, o ideal é que a ação detectiva aconteça antes que o sistema falhe por completo.

A manutenção detectiva é um conceito muito novo no Brasil. A maioria dos gestores de manutenção ainda a confundem com uma corretiva planejada ou com uma preventiva.

Porém, existe uma diferença determinante: a manutenção detectiva é destinada para sistemas automatizados, nos quais as atividades da máquina são realizadas através de circuitos e comandos de sistema.

Exemplo: se faltar a luz, os geradores elétricos devem ser acionados, porém, se houver algum problema na transmissão de dados, os geradores não serão ligados automaticamente. Portanto, quanto mais automatizado um sistema for, mais necessidade de manutenções detectivas ele terá.

Os desafios da manutenção detectiva

A complexidade das máquinas e equipamentos está cada vez maior. Em sua maioria, tratam-se de sistemas comandados por softwares, nos quais automatizam a maior parte do trabalho do operador.

Por essa razão, os ativos estão cada vez mais caros, pois estão cada vez mais sofisticados tecnologicamente.

Assim, esses sistemas são considerados extremamente confiáveis, por possuírem um sistema de proteção incluso. E esse é um problema: as falhas nos sistemas de proteção são ocultas e nada fáceis de serem identificadas.

Além disso, há uma grande resistência por parte dos PCMs em implantar a manutenção detectiva, seja por falta de conhecimento, ou por acreditar que não é necessário.

Outro desafio é a necessidade de realizar testes. Como detectar se um sistema de proteção irá falhar sem testá-lo primeiramente? Esse é o x da questão!

Não dá para esperar uma real necessidade do uso dos sistemas de proteção na vida prática, é preciso testá-los constantemente, e assim, identificar se existem erros de funcionamento.

Em alguns sistemas, é possível que esses testes sejam feitos com a máquina em plena operação, sem precisar que o sistema todo fique fora do ar. Porém, alguns itens de execução, se forem acionados durante o teste podem paralisar todo o sistema, ocasionando perdas de produção.

Por isso, o ideal é fazer o planejamento de paradas. Na verdade, o ideal é sempre planejar todos os passos de manutenção.

Por isso, veremos como gerir a manutenção detectiva no próximo tópico.

Então, como fazer essa gestão?

Gerenciar os processos de manutenção são fundamentais para o sucesso de uma organização.

A manutenção detectiva está diretamente ligada ao bom funcionamento dos ativos, por isso, planejá-la de forma assertiva é muito importante.

Algumas ações são essenciais para realizar um planejamento de manutenção detectiva, entre elas estão:

  • Definir quais máquinas/equipamentos serão inspecionados: as vezes é necessário fazer uma detectiva apenas em equipamentos mais essenciais dentro da indústria.
  • Definir quem serão os responsáveis por essa inspeção: é preciso que seja uma equipe bem treinada e experiente, pois, as manutenções detectivas precisam de muita interpretação dos sinais e dados dos equipamentos. Por isso, são mais suscetíveis a erros.
  • Elaborar um rotina de inspeção: determinar dentro do PCM os horários, tempo gasto, responsáveis e ferramentas necessárias. Tornar a detectiva parte do planejamento total e estar ciente de que ela merece a mesma importância de outros tipos de manutenção.
  • Definição imediata das soluções para as falhas encontradas: no PCM, pode ser feita uma previsão de possíveis falhas e determinar uma ação de solução para cada uma delas. Isso facilita o trabalho da equipe, que já terá um caminho a ser seguido caso ocorra uma falha.
  • Registrar as manutenções: o registro de tempo, dia e hora da detectiva, auxiliarão o planejador a otimizar uma próxima intervenção.

Essas são algumas etapas nas quais o gestor pode orientar o planejamento das suas detectivas. Entre as ações técnicas de manutenção, destaco os seguintes testes:

  • Inspeção em bombas de incêndio;
  • Testes em detectores de fogo e gás de fumaça;
  • Testes em válvulas;
  • Testes de emergência: ligar/desligar os sistemas de vasos de pressão;
  • Testes de malhas de controle de dispositivos de segurança;
  • Testes de relés de proteção de equipamentos elétricos;
  • Teste de amostragem de óleo;
  • Teste e análise de vibração.

A manutenção detectiva é minuciosa, por isso, esses testes acima são apenas para iniciar o planejamento em cada tipo de equipamento ou máquina. Mas existem as particularidades que devem ser averiguadas.

Esse tipo de manutenção também pode ser considerada um fator competitivo das empresas de manutenção.

Por ser um tipo mais atencioso e que pretende ser ainda mais eficiente que uma manutenção preventiva, tê-la no seu PCM enriquece a prestação de serviços. Que tal elevar o seu PCM a outro nível?

Lorrayne é redatora da Auvo, responsável por criar conteúdos que ajudem os gestores a formar uma equipe externa de alta performance.

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